A introdução dos computadores no ensino da Engenharia: a aquisição do IBM 360/44 do IST

Manostaxx
Manostaxx – Industrial Management Consulting

http://www.manostaxx.com

Foi decidido apresentar uma proposta, relativamente à qual prevaleceu a opinião de
que a mesma deveria apenas contemplar equipamentos agrupados por classes de custo : até
10, 20, 50 e, excepcionalmente, 100 contos, até esgotar o montante previsível para a verba
global.

A estratégia alternativa, que eu defendia, era a de que se devia aproveitar aquela oportunidade
única para adquirir um computador que servisse toda a escola e a Universidade Técnica de
Lisboa, pois tal aquisição excedia largamente as disponibilidades orçamentais correntes, o
que não sucedia com nenhum dos escalões do equipamento proposto.

A posição defendida pelo Director, que era consensual, baseava-se no facto de a Universidade
de Coimbra ter sido contemplada com um computador (creio que de origem francesa…) , mas
que continuava encaixotado devido à incapacidade de o instalar e gerir, situação que temia se
repetisse no IST. O Director recusava, por isso, incluir o computador na proposta.

A aquisição do IBM 360/44

Para alem da questão da compra/aluguer, o problema candente era qual o tipo de computador
mais adequado. Na altura, o cálculo científico era completamente dominado pela NCR, com o
computador Elliott 4100. Este era o computador então instalado na Universidade do Porto, no
Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e também o recentemente adjudicado
(com alguns extras especiais) para o Centro de Cálculo Científico da Fundação Gulbenkian.
Não havendo cálculo científico em mais nenhuma instituição pública (na Universidade de
Coimbra o computador continuava encaixotado …) e com a inteligência nacional convertida
aos NCR Elliott 4100, numa opção apoiada em doutos e numerosos pareceres de que já dei
um exemplo, encontrei-me só na defesa de uma solução que pudesse ser diferente, optando
eventualmente por cartões em vez de fita perfurada.

A IBM avançou propondo uma configuração completa e muito utilizada em Universidades, baseada no computador IBM 1130, e em alternativa um IBM 360/44, em configuração mínima e marginalmente
operacional. Concorreu também a UNIVAC, com um modelo muito potente, mas de preço
inacessível.

O modelo IBM 360/44, segundo soube depois, só era proposto em situações especiais, pois
era fundamentalmente um modelo de teste para a transição da série 360 para a 370. Por esse
facto, nem sequer existia muito software específico do modelo. Na altura, na Europa, havia
apenas duas unidades desse modelo, no Serviço Meteorológico Belga.

Fiz parte da Comissão nomeada para analisar as propostas e tornou-se desde logo evidente
que a opção crucial era o nível de risco que estávamos dispostos a assumir. Cientifica e
tecnicamente, o IBM 360/44 era imbatível no contexto existente se viéssemos a conseguir um
posterior reforço de verba. Se tal reforço não viesse, o Centro de Cálculo seria apenas
marginalmente operacional. Efectivamente, a verba disponível só permitia 64k de memória
central e uma só unidade de disco na unidade central ( recordo que as memórias eram ainda
de núcleos de ferrite com enrolamentos e 128k custavam 4000 contos …), a impressora de
consola era a mais barata que existia e apenas tinha uma perfuradora de cartões.

Quando o Centro iniciou actividades, a memória central instalada já não eram os 64k adjudicados, mas sim os 128k necessários a um funcionamento correcto.

A disciplina de Introdução aos computadores e programação existia no 1º semestre do 1º ano
e o seu sucesso dependia crucialmente de um acesso fácil dos estudantes à utilização do
computador. Ora, na concepção corrente, que se verificava em todas as instituições com
computadores, entre os analistas/programadores e o computador existia uma classe de
trabalhadores/funcionários, encarregados de perfurar os cartões (ou a fita, se fosse esse o
caso) que entravam no computador. Os programas eram escritos numa folha de codificação
(…verde) pelos programadores. A partir destas folhas, a outra categoria de funcionários
perfurava os cartões , que de seguida eram enviados para os operadores do computador …
Este tipo de estrutura era impensável no IST, não só pela impossibilidade de dispor de número
suficiente de funcionários para o fazer, como das infra-estruturas correspondentes. Além do
mais era incompatível com o número de alunos utilizadores previstos. Parece-me justo
esclarecer que era a consciência desta dificuldade que estava na origem de muitas das
reticências e objecções à introdução dos computadores no IST e no ensino, sobretudo nos
primeiros anos.
Na cultura vigente, o computador era inacessível, e para o utilizar havia uma liturgia própria,
extremamente hierarquizada e irradiando imagens de poder. Estava por isso reservado a uma
elite, muito restrita.
A solução adoptada, que hoje parece óbvia, foi na altura uma revolução: suprimir os
funcionários da perfuração dos cartões, e obrigar os estudantes, tal como todos os
utilizadores, a perfurar os seus próprios cartões! Deste modo, o Centro de Calculo recebia
logo os cartões a processar e não as folhas com a codificação do programa.

Os cartões com o programa eram colocados em prateleiras de onde eram recolhidos de hora a hora.

O operador carregava os cartões com o progrma e após 1 hora colocava a listagem com o resultado noutra prateleira para recolha pelos alunos. Cada alteração ao programa, se fosse só perfurar 1 cartão e existisse maquina de perfurar disponivel, levava 1 hora. Se fosse necessário pensar e perfurar mais cartões, levava 2 horas. Hoje num computador faz-se em segundos.

 

Continue at: https://ciist.ist.utl.pt/docs/jddComputadoresNoEnsinoDaEngenhariaV211.pdf

The text above is owned by the site above referred.

Here is only a small part of the article, for more please follow the link

Also see:

https://dadoswebaxx.weebly.com/

DadosWebaxx
Web Data Extraction

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *