Sofrimento psíquico no trabalho e suas repercussões patológicas

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SOURCE: http://www.administradores.com.br/artigos/academico/sofrimento-psiquico-no-trabalho-e-suas-repercussoes-patologicas/78435/

A partir dos estudos de psicodinâmica, o artigo apresenta um breve resumo do sofrimento psíquico no trabalho, enfatizando a forma individual que o mesmo ocorre para cada trabalhador. Também, mostra o depoimento de trabalhadoras com lesões por esforços repetitivos.

Antecede a pesquisa do sofrimento psíquico no trabalho o entendimento da psicodinâmica do trabalho. Primeiramente, para a psicodinâmica, torna-se inaceitável a separação entre trabalhador e ser humano, ou seja, o indivíduo dentro do trabalho e o individuo fora do trabalho. As questões da vida pessoal não podem interferir no trabalho, bem como as questões do trabalho não podem interferir na vida pessoal, para tanto é correto afirmar que o ser humano é um todo indivisível.

Segundo Beck, Budó e Gonzales (1999 apud MARTINS, 2008), dizem que o indivíduo que possui um bom convívio familiar, um bom relacionamento consigo mesmo e com as pessoas que se relaciona, pode ter relações melhores no ambiente do trabalho. Interessante a colocação de que o trabalho não é neutro na vida do ser humano, ou ele influenciará em favor da saúde ou da doença. Para Martins (2008), ou é um gerador de saúde, ou um constrangimento patogênico.

Também merece atenção entender que a psicodinâmica do trabalho dedica-se à análise dos processos químicos envolvidos na confrontação do sujeito com a realidade do trabalho (DEJOURS, ABDOOUCHELI 1994B apud MARTINS, 2008).

O trabalho, dentre outras funções, faz com que o indivíduo crie uma identidade, promovendo assim a saúde mental do mesmo. No momento que essa identidade não é efetivada, que o trabalhador não se sente parte do trabalho, ocorre a desestruturação e o surgimento do sofrimento (DEJOURS 2000, apud MARTINS, 2008).

Brant e Minayo-Gomez (2004) introduzem o entendimento de sofrimento com o pensamento de que o mesmo não é algo generalizado, mas, individual, ou seja, cada um reconhece sofrimento de acordo com sua cultura, histórico e condições diversas. Os autores também pontuam que sofrimento é uma dimensão intolerável nas empresas, e, que é uma manifestação em viver em um ambiente não favorável.

A pesquisa realizada por Merlo et. al. (2003), mostra o adoecimento das trabalhadoras em questão, no que diz respeito a saúde física e mental, ocasionado pelo processo produtivo. Também, a expressão “trabalho taylorista/fordista”, ou seja, as organizações precisaram se adaptar as novas exigências, bem como a produtividade, trazendo aos trabalhadores o medo de não serem capazes de manter a mesma performance anteriormente exigida, a mesma velocidade, cadencia e aprendizagem. Entre outros depoimentos, o da trabalhadora “E”, como identificada na pesquisa, ela diz que depois da implantação de um novo método de trabalho na empresa, as diferenças individuais não eram reconhecidas. O grupo trabalhava se cuidando o tempo todo, sabiam que precisavam adquirir prática e produzir. Outra problemática era a velocidade da máquina, maior do que trabalhavam anteriormente e para piorar, foi implantado um cronômetro e todas precisavam seguir aquele tempo.

Em outro grupo pesquisado, a empresa, após a implantação do método Kan-Ban, além da implantação do cronômetro, o período de utilização do banheiro foi reduzido para 7 minutos totais durante o dia, bem como beber água, o tempo para as pausas e os lanches também foi reduzido.

Diante do medo, da pressão, do desrespeito, e, como diz na pesquisa, da forma agressiva de lidar com o próprio corpo no trabalho (tendo em vista que segundo relatos muitas trabalhadoras ficavam todo o dia sem tomar água, ir ao banheiro e inacreditavelmente algumas urinavam nas calças), como criar identidade no trabalho? Como sentir-se parte do trabalho? Como se dá positivamente a confrontação do sujeito com a realidade do trabalho? Em casos assim e semelhantes, o sofrimento é inevitável.

Outro relato citado por Merlo et. al (2003), relaciona o sofrimento e a repercussão patológica, doença e produção, a trabalhadora identificada por “I” diz que devido a pressão e o trabalho excessivo, ela se afastou pelo INSS por perder totalmente o tato das mãos, a empresa se recusou a dar tratamento e a trabalhadora diz que ficou chateada por que não queria se afastar, apenas que a empresa desse o tratamento e ela continuasse trabalhando.

Importantíssimo saber que muitas doenças oriundas do trabalho são invisíveis, e segundo o depoimento da trabalhadora “C”, “as pessoas não vê, elas acham que a gente tá mentindo, fingindo e a gente sofre”.

Referências Bibliográficas

BRANT, Luiz Carlos ; MINAYO-GOMEZ, Carlos. A transformação do sofrimento em adoecimento: do nascimento da clínica à psicodinâmica do trabalho. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 9, n.1, p. 213-224, 2004.

MARTINS, Júlia Trevisan. Prazer e sofrimento no trabalho do Enfermeiro em Unidades de Terapia Intensiva: estratégias defensivas (Tese de Doutorado). Ribeirão Preto: USP, Escola de Enfermagem; 2008.

MERLO, A. R. C. et. al. O trabalho entre prazer, sofrimento e adoecimento: A realidade dos portadores de lesões por esforços repetitivos. Psicologia e Profissão, Brasília, v. 15, n.1, p. 117-136, jan/jun 2003.

 

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